sábado, 1 de maio de 2010
O Filho...primeira alienação....
Como filho, vivenciei todos os males que uma criança alienada poderia viver, até os 13 anos cresci praticamente sem pai (já que morei com minha mãe e duas irmãs em outra cidade) ou apenas com um pai-de-fim-de-semana que me visitava a cada 15 dias recheado de presentes. Fui treinado para sentir ódio, desprezo e temor em relação a ele e sua atual família (esposa e filho). Cresci sem poder falar ao telefone com meu pai, sem poder frequentar a casa dele, sem vê-lo nas minhas festas escolares e sem a sua presença no meu aniversário, não tive sua atenção, seu carinho, seu apoio e tive muito medo de demonstrar qualquer sentimento em relação à falta que ele fazia na minha vida por medo de retaliação por parte de minha mãe. Aos 14 anos me rebelei contra a situação e fui morar com meu pai, aos 15 voltei a morar com minha mãe, pois o estrago já estava feito e não consegui superar o fato de meu pai ser um completo estranho para mim, sofri muito com tudo isso. Já adulto consegui entender tudo o que passei e aceitei da melhor maneira possível o problema, tanto que retomei o convívio com meu pai e sua família (além de ganhar um irmão que não vi crescer, mas que faço questão de manter perto de mim). Guardo como herança daqueles momentos, o amor que tenho hoje pelos meus pais, pelos meus irmãos, e as feridas na alma que apesar de cicatrizadas ainda representam todos os momentos conturbados pelos quais passei e que deixaram uma grande lacuna na minha vida.
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Olá Dudu. Tenho um profundo respeito por você meu amigo. Pela coragem de abrir seu coração, mostrando suas dores e feridas marcadas em sua alma. Feridas profundas deixadas pelo complexo paterno. Nenhum filho deve ser afastado da presença e principalmente do amor de seu pai. Pois, como homem entendo sua ferida. Todos os homens carregam essa ferida (um pai ausente) dentro de nossa alma. Pode ser um pai ausente fisicamente ou um pai presente mas ausente emocionamente; essa ferida provoca um vazio e uma carência emocional que estamos sempre tentando preencher.
ResponderExcluirboa caminhada.
jose carlos vilhena